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Otelo, o mouro de Veneza — De William Shakespeare (Por Pablo Rodrigues)


“Ela me amou porque passei perigos,/ Eu a amei porque sentiu piedade”


Cheguei ao término de mais um livro, Otelo, o mouro de Veneza, de William Shakespeare.

Descobri meu amor por Shakespeare ainda na graduação. Achei que seria “cult” ser um leitor do Bardo, e assim comecei a leitura das peças desse que é considerados um dos maiores, se não o maior, dramaturgo de todos os tempos. Minha leitura partiu do conceito de que a literatura trás prestígio social: “Se você ler Shakespeare você será alguém”. Até porque, imagine você, caro leitor, em uma roda de conversas dizer: “Ah sim… Li Romeu e Julieta, Hamlet, Otelo… Você não? Hum…”.

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Que todos sejam artistas: ou quando se quer escrever a própria Íliada

Eu percebi recentemente a minha dificuldade de escrever sobre as minhas próprias experiências. Pensei comigo da possibilidade de escrever um romance, por exemplo. Narrar a minha vida de forma um pouco mais literária. Fazer de 23 anos um pequeno projeto de um livro. Talvez uma biografia. Posts de um blog ou Facebook reunidos em páginas de um pequeno livro. Quem sabe.

O contato com a literatura me ensina e me questiona sobre como eu posso escrever sobre minha própria vida. E sempre percebo a dificuldade de escrever e ler algo que de fato eu perceba que expresse a minha gama de sentimentos. É claro que a proposta é grandiosa, mas não é esse o convite da literatura? Nos tocar ao ponto de nos indagar por que não estamos habilitados a nós mesmo escrever a nossa Ilíada? 

Não nos preparam para isso. Não nos ensinaram a usar da literatura para se expressar em um sentido próprio. Nos expressamos ao usar as palavras de um autor. Mas são as palavras de um autor. É claro que os grandes autores são esses que como homens adiantados, adiantam o dizer do nosso sentir. Dizemos “Amor é fogo que arde sem se ver” como forma de expressar um amor nosso, muito particular. Dizemos que Camões já disse tudo, ou pelo menos aquilo que queríamos dizer. “Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”, versos de “Tabacaria” resumem o nosso sentimento do sonho, da percepção de si. Da mesma forma toda uma vida é a própria Recherche, de Proust. 

Mas por mais arrogante que possa parecer as minhas colocações, talvez (apenas talvez), eu não consiga encontrar um verso do Fernando Pessoa, ou do Camões, que seja suficiente para mim. E quem sabe eu não poderia escrever um verso, um soneto, meu? Algo fruto dessa angústia ao invés de encontrar algo de outro? E se ao invés de procurar em Caravaggio, ou outro pintor, uma tela para contemplar por toda a eternidade, eu pudesse olhar para um quadro pintado por mim? E se ao invés de ouvir Beethoven eu próprio escrevesse e tocasse a minha sinfonia.

Na terapia a psicóloga perguntou “Como você se sente em relação a esse relacionamento que você está passando?”. Eu não soube responder. Pronunciei uns sons guturais como rrrrrrr, aaaaaaar… E disse não saber explicar  o que sentia por aquela pessoa que conheci faz pouco tempo. Ódio? Incomodo? Eu não sabia. Disse que era isso, mas também não era isso. Terminei com um verso do Manuel Bandeira: “Sabe [para a psicologa] é um sentimento de que a gente poderia ser feliz. Ou como diz o Manual Bandeira: “Uma vida que poderia ter sido e que não foi”. Eu mesmo não sabia me dizer o que sentia. Felizmente eu encontrei Bandeira.

Mas sei que muitos não tem Camões, Pessoa, Bandeira etc para se expressarem. Se eu não tivesse um deles, teria parado ali nos sons animalizados, aparentemente sem sentidos, apenas barulho que expressavam a dor de perder quem possivelmente se gostava, se deseja de modo intimo e intelectual (?). Eu não sei o que sinto pela última pessoa que tive a chance de construir algo simples e significativo. Eu o queria ao meu lado? Sem dúvidas. Mas entre a impossibilidade de estarmos juntos, e o querer estar juntos, se decidiu pela amizade. Mas eu o quero? O que sinto por ele? Nesse caso eu lembro de ter enviado um poema de Eucanaã Ferraz que gosto muito: “Amor só vem mais tarde, amar/ só vem depois, amor é quando/ tudo se foi, virá no próximo/ trem, talvez no ano que vem;”. Não pude pensar em algo meu.

Uma vez ouvi que Maury Gurgel Valente sofria o mesmo com Clarice Lispector. Não sabendo como conversar com a mulher, recortava os romances de Clarice numa tentativa de compor uma carta por recortes, para assim chegar ao íntimo de sua esposa. Sendo impossível a comunicação direta lhe coube recortar as páginas de A paixão segundo G. H, A maça no escuro e outros livros e compor uma carta de retalhos e assim conversar com Clarice. Para eles faltavam uma linguagem. A língua os dois possuíam, porém cheias de signos com significantes e significados desencontrados.

Para a pessoa que, em certa medida, motivou, e está presente nesse texto eu diria: Ficamos com os ditos da filosofia para dizer um ao outro a possibilidade dos nossos afetos. Escolhemos a possível voz de Sócrates, Platão e Nietzsche para dizer o quanto estávamos gostando um do outro. Escolhemos o silêncio e não dar nenhum passo em direção ao querer que tínhamos em comum. Erramos. Tínhamos uma uma língua, entretanto não demos tempo suficiente para criarmos a nossa própria linguagem.

E se nos seres humanos fossemos livre para escrever nossa própria Ilíada?  E se todos nos fôssemos artistas capaz de esculpir sua próprias vidas e admirá-las no fim de nossa existência terrena. E longe de termos “mestres” da literatura e da pintura, tivéssemos homens e mulheres que nos convidaram a seguir um exemplo: escrevam vocês mesmos o seu próprio Dom Quixote. 

 

 

 

 

Enquanto estudo a Filosofia de Platão

Compreender o convite dos filósofos [Platão] é entender que a Filosofia é algo que se vive. A Filosofia está para além das páginas do manual de Filosofia. E quando [Platão] fala de democracia como uma ferramente contra a tirania, ele está falando da democracia como uma ferramenta contra a tirania. O diálogo como o desarmar das próprias ideias, oposição contra á violência, à força física, e retórica manipuladora.

Sobre um Pré-vestibular comunitário

A semana tem sido corrida. Junto com uma equipe de voluntários, eu me preparo para iniciar mais uma ano letivo no Pré-Universitário Comunitário Rubem Alves. Na realidade esse ano já iniciou. Seja pelo trabalho administrativo, das inscrições, recebimentos de alunos, taxas de matrícula, seja pelo planejamento do ano letivo, que para mim se iniciou no final do ano passado.
 
O contexto é único. 200 alunos desejam entrar na universidade. Lido com os sonhos de cada um deles. E em alguns casos, me torno amigo próximo de uns. Coisa de ligar, falar sobre a vida, sobre os afetos. Assuntos que não cabem na ementa.
 
Sou voluntário desse projeto desde 2015. E essa equipe de voluntários tem sido para mim uma forma impar de resistência frente ao mundo. Agora mesmo estava planejando com os amigos da equipe de Linguagem, nossa primeira aula. E assim lembro de um dado curioso, já sou professor. Atestado pela papel, licenciado em Letras-Literaturas. Atestado pelo chão da sala de aula.
 
Casos de depressão. Alunos que chegam e vão. Tudo parece a canção de Maria Rita, “tem gente que chega para ficar, tem gente que vai pra nunca mais”. E eu permaneço. Vendo a mudança no projeto. Presenciando um corpo mais bem formado este ano. Um amadurecimento da minha parte. Talvez um olhar mais otimista.
 
Também dou aula de Filosofia. Lembro uma vez que de tão ansioso pela aula eu não conseguia dormir. Como eu ia iniciar a aula? Com qual exemplo? Será que teria a atenção dos alunos? Tudo ocorreu bem. Tudo tem ocorrido bem. Numa aula de Literatura eu simplesmente me perdi. Pedi desculpa aos alunos. Não estava bem.
 
Eles querem ir para universidade. Mais um ano letivo se inicia de fato. Eu penso… Chegarei como sempre… Tímido diante do 200 alunos. Atitude clariciana por excelência, “Tímido, porém, corajoso”.
 
Vejo que o que tem movido minha semana é o desejo de falar. Da troca. Do afeto que vem da sala de aula. E quase a dois anos, eu li no grupo da Faculdade de Letras: Vagas para Pré-Vestibular. Eu precisava tanto esquecer dos meus problemas. Eu precisava tanto ficar bem. Eu cheguei muito mal no PURA. Eu tive outros momentos, já como voluntário, bem difíceis. Mas eu permaneço. Talvez neste ano, e só no próximo. Ou só mais um mês. Então, que seja significativo.

“Às duas amigas trans”, Por Pablo Rodrigues

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Tive um sonho. Sonhei que chegava e falava com uma trans. Sentávamos, nos abraçávamos, nos tornávamos amigos. Um sorriso sincero das duas partes, da minha e da dela. Eu fiquei feliz. Experiência psicanalítica por excelência. “Será que eu devo puxar assunto com essa pessoa que estava no meu sonho? A conheci aqui pelo Facebook”. Penso.
… 
Tenho algumas questões sobre a Transexualidade. O primeiro contato foi quando na Faculdade de Letras, enquanto Bolsista Administrativo, fui montar um evento do Centro Acadêmico. O evento? Algo entorno da Diversidade Sexual. (Nem pensava em desconstrução nessa época). A moça trans do evento sorriu para mim, e educadamente sorri para ela. Todo esse cenário era muito distante do imaginário cristão evangélico em que eu estava inserido.

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